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    introdução :

    A Fibrose Cística (FC) ou Mucoviscidose é uma doença genética, que causa um defeito no transporte do cloro pela mucosa, provocado por uma mutação genética no cromossomo 7 na região q 31, alterando a proteína CFTR (regulador da condutância transmembrana de FC). É a doença hereditária que mais mata crianças brancas. Sua incidência na população caucasiana é de 1:5000 nascimentos, sendo rara entre os negros (1:30.000) e amarelos (1:90.000). No Brasil existem cerca de 1.400 pacientes com FC diagnosticada. A FC é letal porque causa uma infeção broncopulmonar crônica com destruição progressiva do pulmão.
    A confirmação diagnostica requer dois testes de suor positivos, feitos em dias diferentes. O resultado é positivo quando temos mais de 60 ml/l de cloro na amostra colhida de suor da criança e 80 ml /l no adulto.
    Cerca de 1/3 das crianças e quase metade dos adultos com FC apresentam polipose nasal bilateral e pansinusite crônica. Os sintomas mais comuns são obstrução nasal, rinorréia, anosmia e tosse crônica. Por volta de 90% dos pacientes com FC apresentam evidência de sinusite na TC.
    A terapia gênica é o tratamento do futuro para a FC.


    Fisiopatologia

    A proteína sintetizada por um único gene (região q 31 do cromossomo 7), chamada de CFTR (regulador de condutância transmembrana da Fibrose Cística), o próprio canal do cloro, sofre uma mutação, resultando num transporte anormal de íons de cloro através dos ductos das células sudoríparas e da superfície epitelial das células da mucosa. O CFTR se expressa nas células epiteliais, pulmão, pâncreas, glândulas sudoríparas, fígado, testículo e intestino grosso. Foram identificadas mais de 1000 mutações desse gene. A Delta F 508 é a mutação mais comum, com freqüência de 66% entre os alelos e cerca de 50% em homozigotos. Essa mutação é causada por uma deleção de três nucleotídeos desse gene, impossibilitando a produção do aminoácido fenilalanina na posição 508 da proteína CFTR.
    O defeito genético causa uma alteração no transporte dos íons através das glândulas exócrinas apicais, resultando numa permeabilidade diminuída ao cloro (fazendo com que o muco nasal da FC fique 30 a 60 vezes mais viscoso). Como a água osmoticamente segue o movimento do sódio de volta para dentro da célula epitelial, provoca um ressecamento do fluído extracelular que está dentro do ducto da glândula exócrina. Apesar do sistema de transporte mucociliar não ser afetado pela doença, ele não consegue transportar essa secreção tão viscosa. A mucoestase provoca um bloqueio do óstio levando à rinossinusite. As Pseudomonas, assim como as outras bactérias e fungos, colonizam a secreção estagnada nos seios; esses microorganismos infectam o nariz e, com a inalação, chegam ao pulmão contribuindo para a infeção pulmonar crônica. Se mantivermos o nariz e os seios limpos a incidência de pneumonia na FC diminui.

    A FC é uma doença de multissistemas caracterizada por infeção brônquica crônica e má função intestinal secundária à insuficiência pancreática. Parada respiratória e cor pulmonale são as causas de morte nessa doença.
    Quadro clínico
    Clinicamente, cerca de 50% dos pacientes com FC apresentam rinossinusite crônica e/ou obstrução nasal.
    Apesar de mais de 1000 mutações genéticas da FC terem sido descritas, não existe nenhuma associada com a polipose nasal, apesar dela ser uma das várias complicações dessa doença, podendo aparecer antes das manifestações pulmonares ou gastrointestinais. Nas crianças o pico da doença é entre os 8 e 10 anos, diminuindo na adolescência. Para o lado respiratório podemos ter pneumonia persistente ou recorrente, bronquiolite, obstrução nasal, rinorréia, anosmia, tosse crônica persistente ou chiado com falta de ar, pansinusite e/ou polipose nasal, e isolamento de P. aeruginosa das secreções respiratórias. Até os 3 anos a infeção nesses pacientes ocorre, geralmente, pelo Estafilo e, após os 5 anos, pela Pseudomonas. As manifestações maiores da FC na região de cabeça e pescoço são a formação de pólipos nasais e o desenvolvimento de rinossinusite crônica.
    Quanto aos sinais e sintomas gastrointestinais pode ocorrer esteatorréia, apetite voraz, ileo meconial, prolapso retal, intuscepção; cirrose, colelitíase ou pancreatite inexplicadas em pacientes com menos de 30 anos, deficiência de vitaminas A, D, E e K.
    Podemos ter ainda desidratação hiponatrêmica ou alcalose metabólica em crianças, hipoproteinemia (edema e anasarca) inexplicadas na infância, azoospermia ou infertilidade.
    Cerca de 75% dos pacientes com FC apresentam sintomas gastrointestinais e 50% sintomas respiratórios.